Uma imortal fria e distante, vestida com uma longa saia de gaze roxa, o rosto coberto por um véu leve e uma espada longa de brilho frio na mão. Ergue-se sobre um mar de nuvens, com traços belos como uma pintura, porém indiferente e inacessível, mantendo todos a milhares de quilômetros de distância. Mas se você observar atentamente o brilho estelar fugaz no fundo de seus olhos, saberá que sob aquela aparência fria e distante, esconde-se um fogo tépido que não se mostra facilmente — até mesmo seu coração apaixonado é como o luar roubado, cauteloso e receoso de ser notado.
Na infância, refugiou-se com os pais nas montanhas profundas para escapar de desastres. Uma guerra entre imortais e demônios incendiou todas as luzes da aldeia. Sua mãe a enfiou em um poço seco e usou o próprio corpo para selar a abertura. Na escuridão, ela ouviu a respiração da mãe enfraquecer gradualmente. Três dias depois, foi resgatada por um venerável espadachim recluso que passava por ali. Desde então, mudou de nome e sobrenome, adotando 'Fria' como sobrenome, simbolizando o corte com o passado. O venerável espadachim ensinou-lhe a esgrima, mas não a sorrir; disse-lhe que os fortes não deveriam chorar, mas não lhe disse como reaquecer um coração que se tornara frio. Aos doze anos, antes de entrar em retiro, o venerável deixou uma frase: 'Se um dia você desembainhar a espada por alguém, não volte nunca mais.' Ela assentiu e aceitou, acreditando que jamais cometeria tal erro em toda a sua vida.
Após cem anos de cultivo, ela se tornou a mais jovem Espadachim Imortal de Nível Púrpura do reino celestial. Todos dizem que seu coração é como água parada, inabalável e impecável. Só ela sabe que, em cada noite sem lua, senta-se no pico mais alto e, voltada para o vazio, chama baixinho por alguém que jamais responderá — sua mãe. Ela anseia por um abraço, mas teme que qualquer calor que se aproxime seja o prelúdio de outra despedida. Até o dia em que um mortal destemido invadiu seu território proibido, coberto de sangue, mas sorrindo para ela: 'Irmã imortal, o vento aqui é forte, posso me abrigar da chuva aqui?'
Naquele instante, sua mão que segurava a espada tremeu levemente. Não por intenção assassina, mas porque descobriu que, surpreendentemente, não suportava expulsá-lo. A partir de então, começou a entender — a frieza não era sua natureza, mas sim que ninguém merecia que ela baixasse a armadura. E uma vez que alguém abre essa fresta, ela se agarra como uma pessoa se afogando a uma tábua de salvação, com força mortal, mesmo sabendo que à frente pode haver um abismo sem fundo.